" Liberdade e ser capaz de amar sem pertencer, e viver sem dominar"

Sexo e Drama em Veneza

Diferente de outras festas, nessa eu tive que pensar muito antes de vir aqui escrever. São sentimentos que misturam-se entre amor, prazer, medo,  confusão e tristeza. Sendo assim, começo pelo drama. 

Apesar de enigmática e nada ter relação com o momento, essa foi a música de abertura da festa; enquanto ainda estava sozinha, aumentei o som no último volume, que devia estar sendo ouvido à quarteirões de distância. Ela me faz acordar para uma luta íntima com alguns fantasmas internos, e mesmo parecendo à todos que tenho tudo sobre controle, vezes ou outra eu realmente fico apreensiva antes das festas nas mansões, porque eu sei o que está por vir.

Conforme foi acabando a chuva e o vento aumentava batendo na minha capa de veludo grossa e pesada, eu pensava em como iria conseguir lidar com tudo o que aconteceria naquela noite. E aconteceria... 

Respirei fundo, coloquei a máscara e me preparei para a noite começar, tentando não deixar meus sentimentos me controlarem. Parece que por baixo daquela máscara eu podia ouvir o quanto minha respiração estava intensa e quanto meu coração "socava" meu peito.

Enfim, a Dama de Espadas estava pronta pra ter uma das noites mais difíceis e encantadoras da Voluptas. Eu sabia exatamente quem vinha. Tínhamos entre nós pessoas públicas, jornalistas e iniciantes. Pessoas curiosas, experientes e alguns extremamente voláteis. Estaria ali pessoas que eu questionei se deveria ter aprovado o ingresso na sociedade e também pessoas que eu já deveria ter tirado à algum tempo.

Seria a reunião de todas as pessoas que me fizeram por algum momento pensar em silêncio, fumando um cigarro, no jardim escuro da minha casa.

Conheço todos vocês, pois a sociedade me deu certo feeling para aprovações e é inacreditável como eu erro quando vou contra esses sentimentos. Ignorar isso fez ter por perto essas pessoas que me tiraram o sono, não necessariamente por uma dúvida ruim.

Com o crescimento da Voluptas, eu penso em todos vocês. Lembro de todas as mensagens, entro no perfil da maioria no Secretbook, leio o que escrevem e acompanho o crescimento individual de vocês. Muitas vezes vocês não me vêem comentar publicamente, mas estou sempre pensando sobre cada detalhe. Esse lance de estar em destaque não é meu preferido; queria, por um momento, poder andar pela festa e passar despercebida. Não me dou bem com muita atenção voltada a mim.

Quando se está à frente de uma sociedade, é muito difícil tomar decisões, pois algumas não terão volta. E se tratando da Voluptas, elas realmente não tem. Uma das coisas que eu mais prezo é a palavra final de uma pessoa. Então devemos analisar muito bem antes de tomar qualquer decisão, pois ela não poderá ser revogada. Não é um jogo de erros ou acertos. Ou é, ou não é.

Conforme nossos membros foram chegando, a noite começou a tomar forma. No início, enigmática, sedutora e apreensiva. Depois 20, 50, 120 pessoas. E eu me vi em meio a tantas pessoas que me cumprimentavam e eu fazia um esforço sub humano para reconhecê-las. Fazer link de rostos que quase não vemos com suas misteriosas histórias, é realmente muito apreensivo. 

Costumamos limitar bem a quantidade de entradas. Dessa vez nos arriscamos e permitimos algo que eu não sabia se estava preparada, afinal, os encontros da Voluptas sempre foram intimistas.

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